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Sem título - Collin LaFleche
Não sei qual motivo da situação geral sempre ser estranha durante os finais de ano. Devido ao blues natalino refletido em versões em samba e pagodinho paulista, profanando caixas de som de supermercados e shopping centers? Devido às luzes que enfeitam a nossa tosca paisagem e ao curioso enfeite natalino em formato de bigode no alto de um prédio da Av. Aguanambi? Se é do motivo dado às crises e pausas para reflexão sobre o devir, o si e o próximo ocasionadas pelo desalento pré-virada, algo que mora na mesma casa da razão do medo do fim do mundo?
Não faço a menor ideia.
* * *
Tenho uma grande amiga distante quilômetros e quilômetros, emburacada em um mestrado e em uma difícil e épica jornada individual. Outra, cria do bando e parte de uma corja que se auto-intitula e é proclamada como ca-fa-jes-tes, decide rumar ao Sul para buscar o rastro da própria essência dispersa no mundo.
Como disse, as coisas sempre ficam estranhas no fim do ano. Não faço ideia do motivo. Frisos meus: talvez algo que mora no âmago de um sentimento demasiadamente humano, o Temor ao Fim do Mundo, ou algo que o valha. E, da mesma casta que este, a Sensação Vazia do Próximo Ano.
Se procurasse ter religião, escolheria Jogos de Azar, como sempre venho fazendo nestes vinte e dois finais de ano em suspensão.



